Verdade, anúncio e autenticidade de vida, na era digital
02.06.2011Por ocasião do 45º Dia Mundial das Comunicações Sociais, o Papa começa sua reflexão dando destaque a um fenômeno característico do nosso tempo: a difusão da comunicação através da rede internet. Salienta que “as novas tecnologias estão a mudar não só o modo de comunicar, mas a própria comunicação em si mesma, podendo-se afirmar que estamos perante uma ampla transformação cultural. Com este modo de difundir informações e conhecimentos, está a nascer uma nova maneira de aprender e pensar, com oportunidades inéditas de estabelecer relações e de construir comunhão.”
O Papa alerta que, como qualquer outro fruto da invenção humana, as novas tecnologias da comunicação devem ser postas ao serviço do bem integral da pessoa e da humanidade inteira. “Sejam usadas sabiamente, podem contribuir para satisfazer o desejo de sentido, verdade e unidade que permanece a aspiração mais profunda do ser humano.”
O Papa chama atenção para o problema dos falsos perfis, falsas identidades no uso das redes sociais: “Percebe-se que sobretudo os jovens estão a viver esta mudança da comunicação, com todas as ansiedades, as contradições e a criatividade própria de quantos se abrem com entusiasmo e curiosidade às novas experiências da vida. O envolvimento cada vez maior no público areópago digital dos chamados social network, leva a estabelecer novas formas de relação interpessoal, influi sobre a percepção de si próprio e por conseguinte, inevitavelmente, coloca a questão não só da justeza do próprio agir, mas também da autenticidade do próprio ser. Na busca de partilha, de “amizades”, confrontamo-nos com o desafio de ser autênticos, fiéis a si mesmos, sem ceder à ilusão de construir artificialmente o próprio “perfil” público.”
O Papa se questiona quem é ou será o nosso próximo a ser amado e ajudado nesta nova realidade? Como são ou serão nossas relações de amizade? “As novas tecnologias permitem que as pessoas se encontrem para além dos confins do espaço e das próprias culturas, inaugurando deste modo todo um novo mundo de potenciais amizades. Esta é uma grande oportunidade, mas exige também uma maior atenção e uma tomada de consciência quanto aos possíveis riscos. Quem é o meu “próximo” neste novo mundo? Temos tempo para refletir criticamente sobre as nossas opções e alimentar relações humanas que sejam verdadeiramente profundas e duradouras? É importante nunca esquecer que o contato virtual não pode nem deve substituir o contato humano direto com as pessoas, em todos os níveis da nossa vida.”
O cristão no uso das novas tecnologias, na sua presença nas redes sociais, deve portar-se eticamente a luz dos valores do evangelho. “As dinâmicas próprias dos social network mostram que uma pessoa acaba sempre envolvida naquilo que comunica… Segue-se daqui que existe um estilo cristão de presença também no mundo digital: traduz-se numa forma de comunicação honesta e aberta, responsável e respeitadora do outro. Comunicar o Evangelho através das novas mídias significa não só inserir conteúdos declaradamente religiosos nas plataformas dos diversos meios, mas também testemunhar com coerência, no próprio perfil digital e no modo de comunicar, escolhas, preferências, juízos que sejam profundamente coerentes com o Evangelho, mesmo quando não se fala explicitamente dele.”
O Papa destaca algumas idéias a serem levadas em conta a favor da verdade e da autenticidade no uso das novas tecnologias, especialmente da internet e de suas redes sociais:
- devemos estar cientes de que a verdade que procuramos partilhar não extrai o seu valor da sua “popularidade” ou da quantidade de atenção que lhe é dada. Devemos esforçar-nos mais em dá-la conhecer na sua integridade do que em torná-la aceitável. Deve tornar-se alimento cotidiano e não atração de um momento;
-a verdade do Evangelho não é algo que possa ser objeto de consumo ou de fruição superficial, mas dom que requer uma resposta livre. Mesmo se proclamada no espaço virtual da rede;
-permanecem fundamentais as relações humanas diretas na transmissão da fé!
O Papa encerra fazendo um convite a todos os cristãos “a usarem confiadamente e com criatividade consciente e responsável a rede de relações que a era digital tornou possível; e não simplesmente para satisfazer o desejo de estar presente, mas porque esta rede tornou-se parte integrante da vida humana. Somos chamados a anunciar, neste campo também, a nossa fé: que Cristo é Deus, o Salvador do homem e da história, aquele em quem todas as coisas alcançam a sua perfeição (cf. Ef 1,10).”
