O semeador saiu para semear.
10.07.2011O evangelho deste domingo nos apresenta a super conhecida parábola de semeador. De fato, Jesus para falar de Deus e da sua ação no mundo usa sempre exemplos muito acessíveis a todas as pessoas, pois quer que a sua mensagem possa ser compreendida e praticada por todos. Especialmente na sua sociedade agropecuária, Jesus muitas vezes aproveita das experiências concretas das pessoas para introduzir-lhes nos mistérios da vida espiritual.
Nesta parábola três elementos são colocados em evidencia: o semeador, as sementes e a terra. Sem um deles não se pode chegar à colheita, mas Jesus quer fazer-nos refletir sobretudo sobre o tipo de terra somos.
Existe a terra do caminho. As sementes caem ali e se perdem. Os pássaros as comem ou as pessoas as pisam. Estas sementes em geral nem germinam. Assim são as pessoas que não dão nenhum valor à palavra de Deus nas suas vidas. Até participam na missa ou escutam alguma pregação, mas não fazem caso ao que escutam, o fazem só por costume. Suas vidas, suas decisões, seus pensamentos não tem nenhuma conexão com a vontade de Deus. Para elas, a Igreja, Deus, os sacerdotes, são coisas interessantes e devem ajudar aos demais a encontrar a paz e aliviar as suas tristezas, mas não devem influenciar nas suas vidas… Cada um deve fazer o que quer sempre e basta… nelas a Palavra de Deus não produz nenhum fruto. É incrível, mas existem muitas pessoas que pensam assim. São filhos de uma ideologia que põe a experiência de fé como uma coisa tão privada, que ninguém nem deve se dar conta das tuas crenças e da tua fé.
Existe a terra que está no meio das pedras. É uma terra sem profundidade. Ela recebe bem a semente que com muito animo logo cresce, porém as suas raízes são muito superficiais, e quando vem o sol as queima completamente. São aquelas pessoas que muito facilmente se animam com a palavra de Deus. De um dia para o outro querem mudar o mundo e estão tão motivadas que poderiam até tocar as estrelas. Tem muitos sonhos, fazem belos planos, mas depois que se passam alguns dias tudo se transforma em simples fumaça. São inconstantes. Não conseguem perseverar no projeto. Não são capazes de manter a palavra. Não são capazes de suportar uma crítica. Pessoas desse tipo também existem muitas. Especialmente nos nossos dias muitos vivem de modo tão superficial, que como estas plantas morrem com os primeiros raios de sol.
Existe a terra com espinhos. É incrível como as plantas ruins crescem com muito mais força que aquelas boas. As sementes que caem nesta terra tampouco produzem frutos, pois são afogadas pelos espinhos. Estas são as pessoas que recebem a Palavra de Deus e ficam contentes, fazem planos para coloca-los em prática, mas passam os dias, surgem outras propostas, e terminam por ocupar-se com muitas outras coisas, assim tendo gastado as energias com outras atividades, a vida espiritual vai perdendo espaço até que um dia morre afogada. Deste tipo de pessoas também existem muitas. São boas e tem boas intenções, mas não sabem organizar o tempo, não conseguem estabelecer as prioridades. Entram nas engrenagens do mundo, e terminam por consumir-se em coisas banais.
Existe a terra boa, que acolhe as sementes e produz tudo o que pode cada uma. São aqueles que acolhem a mensagem de Deus e decidem orientar as suas vidas segundo a sua vontade. As suas vidas se transformam em uma arvore de Deus, sempre carregadas de boas ações, de generosidade, de amor, de perdão.
Que tipo de terra somos? Chegamos a produzir frutos porque praticamos o que Deus nos diz?
Creio que todos nós temos um pouquinho de cada uma destas terras. Penso, que não existe nenhum de nós que nunca desperdiçou uma semente da Palavra de Deus, assim como ninguém que nunca tenha realizado algo do que Deus propõe.
Por outro lado meditando nestas palavras, e reconhecendo as minhas debilidades pelas quais, tantas vezes os frutos foram muito mesquinhos na minha vida, nasce em mim uma suplica ao Semeador:
Senhor, prepara a minha terra. Limpa, Senhor, o campo da minha vida, tira as pedras, arranca os espinhos. Remove Senhor com o arado da tua palavra o terreno da minha vida, antes de semear, e aduba-la Senhor, com o teu Espírito. Rega-me Senhor constantemente com a tua graça, pois sem ti eu sei que não posso produzir nada.
O Senhor te abençoe e te guarde,
O Senhor faça brilhar sobre ti o seu rosto e tenha misericórdia de ti.
O Senhor mostre o seu olhar carinhoso e te dê a PAZ.
Frei Mariosvaldo Florentino, capuchinho.
