Festa do Corpo e Sangue de Cristo Ano A
16.07.2011Primeira Leitura Dt (8,2-3.14-16) o autor destaca as palavras: lembra-te (v.23), reconhece (v.5), observa (v.6), não esqueças (v.14). Neste período os israelitas encontravam-se em situação desesperadora, achavam que não haveria mais condição de manter-se como nação. O autor quer mostrar ao povo que não era a primeira vez que o povo encontrava-se naquela situação e que Deus os tinha livrado. É para lembrar-se que salvaram-se porque Deus interveio, não fora só pelas suas forças. Quando passaram pelo deserto, puderam sentir a sua aridez e ao mesmo tempo o socorro vindo de Deus. Em outras palavras o autor quer dizer ao povo israelita e a nós hoje, que Deus tem poder de resolver problemas que para nós sao insolúveis. Jesus depois vai dizer: vinde a mim, vós que estais cansados que eu vos aliviarei.
Segunda Leitura (1Cor 10,16-17), os cristãos vindos do paganismo tinham parentes pagãos. Surgiram, portanto dúvidas: podiam eles agora como cristãos participarem das celebrações pagãs e comer carnes oferecidas aos ídolos? E começou acontecer muitas discussões colocando a unidade em perigo. Diante disso Paulo escreve recorrendo a celebração da Eucaristia, diz: “na celebração da Eucaristia, partimos o mesmo pão, que é dividido entre os irmãos, pão é um só, assim embora muitos, formamos um só corpo, pois todos participam do único pão (v.17). Ele diz em outras palavras: pode o cristão sentar-se na mesma mesa repartir do mesmo pão e depois odiar-se? Jesus depois em Mt (5,23-24), vai ser taxativo: “se estiveres levando a tua oferta e te lembrares que teu irmão tem algo contra ti…”. A Eucaristia nos une a Deus e aos irmãos. Comungamos para nos tornarmos eucarísticos, fraternos.
No Evangelho (Jo 6,51-58), Jesus se apresenta como o pão vivo descido do céu. Ele vai dizer que quem não comer da minha carne e beber do meu sangue não terá vida. Os judeus escandalizaram-se, mas Jesus não retira aquilo que falou. Assim a eucaristia torna-se alimento de salvação. Comer de sua carne e beber de seu sangue é assumir em nossas vidas o projeto de Jesus Cristo. Para entender melhor, quando comemos pão nosso de cada dia, ele é assimilado pelo nosso organismo e se transforma em nossa carne. Assim quando comungamos Jesus Cristo nos identificamos com ele, permitimos que ele viva em nós. Paulo estava de tal forma ligado a Jesus que dizia: não sei se sou eu que vivo ou é Cristo que vive em mim. Não basta comungar, é preciso colocar-se a serviço, ter fé e deixar-se transformar pelo seu amor. Do outro lado é preciso ter consciência do que estamos fazendo, pois podemos comungar a nossa própria condenação.
Padre Inácio Benedito Giacomelli
