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lirio

DOMINGO VIII do TEMPO COMUM

26.02.2011

“Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo.”

Leituras: Is 49,14-15; 1 Cor 4, 1-5; Mt 6, 24-34

Animado pelo Espírito Santo durante o batismo recebido por mão de João, e proclamado pelo Pai como o Filho em que ele se compraz, Jesus é levado pelo mesmo Espírito ao deserto para ser submetido a várias provas pelo diabo. Sua longa batalha é conduzida a bom fim, enquanto se deixa guiar pela repetida afirmação da sua total submissão e dedicação ao Pai e à sua missão de messias humilde, que traz seu vigor somente da palavra/relação com o Pai: “Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus!” (Mt 4, 4 ).

Em força desta identificação da sua existência e missão com o Pai, Jesus inicia a pregar a boa-nova. É ele mesmo a nova presença de Deus na história e o início da nova maneira de existir que essa presença suscita e exige, para que a semente desta história nova se torne messe de frutos abundantes: “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos Céus/Deus” (Mt 4,17).

Ao abrir “caminhos novos” para os discípulos, Jesus inicia a partir de sua própria experiência pessoal e oferece a possibilidade de partilhar esta experiência. Seguindo-o, em seu exemplo e em sua atração interior, o discípulo entra no mesmo caminho para o Pai. Jesus não é somente o “mestre”, que ensina e dá orientações de vida, como os outros mestres da lei em Israel e os sábios das tradições sapienciais humanas. Ele é o inicio e o primeiro a viver a nova maneira de ser homem e mulher, segundo o projeto original de Deus. É o novo Adão, que gera uma nova humanidade, segundo a incisiva expressão de Paulo (cf. Rm 5,14). Ele transmite no Espírito a capacidade de seguir seu caminho. “Eu sou o caminho, a verdade e a vida!” (Jo 14,6).

Jesus define sua atitude fundamental em relação ao Pai e à sua missão, frente às sugestões do diabo, que procura impeli-lo a construir, ao invés, seu próprio projeto de Messias no sinal do poder. É o caminho que Israel, escolhido e amado por Deus como seu “filho”, não conseguiu guardar durante a longa peregrinação rumo a terra prometida da liberdade para servir com amor ao Senhor, reconhecido como seu único Deus libertador. Fascinado pela perspectiva de tornar-se um povo “como os outros”, Israel plasma o seu Deus à própria imagem e segundo as próprias expectativas. Procura um Deus que lhe doe segurança, pela sua semelhança a si mesmo. É pesada demais a perspectiva de uma liberdade, que faz alguém diferente dos outros. Caminhar na multidão com a maioria dá a ilusão de caminhar certo, sem a fadiga de pensar, de escolher, de assumir o risco e a responsabilidade da escolha.

Jesus assume conscientemente a escolha do messias pobre e humilde, que confia somente na força da palavra de Deus. E abre o mesmo caminho para os discípulos de todo tempo. Ninguém pode servir a dois senhores… Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (Mt 6,24).

O dinheiro resume em si mesmo todos os ídolos e as armadilhas que, com a falsa promessa da auto-garantia, submetem o homem e a mulher a formas de escravidão sempre novas. O urgente convite de Jesus para, “não vos preocupeis com a vossa vida” (6,25), não é certo um convite a deixar cair o compromisso responsável que cada um tem que assumir frente às justas exigências da existência.

Ao contrário, Jesus pretende colocar no centro o que é verdadeiramente essencial: a cuidadosa ação de Deus para com cada um dos seus filhos e filhas, cuidado que vai bem além daquele cuidado zeloso que, por instinto maternal, tem para com seus filhos, qualquer mãe que não seja desnaturada (primeira leitura: Is 49, 14-15).

É a confusão entre o essencial e o secundário, que destrói a nascente da verdadeira vida no coração da pessoa, e transforma seu empenho por um objetivo que pode se revelar errôneo, em desperdício da energia vital.

Esta é a critica pontual, embora cheia de amor, que Jesus faz a Marta, sua amiga e hóspede tão generosa: “Marta, Marta, tu te preocupas e te inquietas com muitas coisas, quando uma só é necessária. Maria escolheu a parte melhor, que não lhe será tirada” (Lc 10, 41-42). Maria tinha dado a precedência à escuta sedenta de Jesus e à comunicação profunda e doce que tal escuta criava entre Jesus e seus amigos. Esta ao fim era a razão que tinha feito daquela casa de Betânia, a casa da amizade e da alegria, e que a própria Marta pretendia servir no seu afã.

Jesus orienta os discípulos na mesma direção de atenção ao que é essencial: o dom da vida recebida pelo Pai, e o cuidado zeloso com que o Pai providencia, com generosidade ímpar, mesmo aos seres mais frágeis, como os pássaros e as flores do campo. Eles ficam expostos a toda imprevisibilidade do tempo e das estações, e o Pai não deixa lhes faltar nada, pelo contrário, os reveste de beleza e esplendor com toda gratuidade.

“Vós não valeis mais do que os pássaros?…. Não fará ele muito mais por vós, gente de pouca fé?” (Mt 6, 26.30). A contemplação da beleza, da harmonia e da ordem que o olho simples descobre com maravilha na natureza, assim como na história, abre a mente e o coração ao estupor, diante da criatividade fantasiosa de Deus e da sua fidelidade ao ter cuidado dela. Hoje os instrumentos de altíssima tecnologia à nossa disposição nos permitem dilatar quase ao infinitamente pequeno e ao infinitamente extenso a contemplação extasiada das maravilhas do Senhor, já cantadas pelo salmista (cf. Sl 8;19; 104). Pensemos nos detalhes sempre menores alcançados pelos microscópios eletrônicos e, de outra parte, nas profundidades cósmicas a que se dirigem os olhos dos telescópios de última geração como o Kepler, recentemente lançado no espaço, e que continua descobrindo inúmeras estrelas além do nosso sistema solar.

É precioso e urgente recuperar o olhar simples das crianças, capazes de se maravilhar diante da beleza que resplende na criação, na história da humanidade, nas vicissitudes de cada um de nós. Assim a Providência do Pai, à qual nos convida Jesus, como o centro dinâmico que alimenta nossa vida e nossa liberdade, assume a consistência do nosso tempo, do nosso nome, e fundamenta o nosso verdadeiro empenho, a serviço do reino de Deus e da sua justiça, em prol dos nossos irmãos.

“Só em Deus a minha alma tem repouso, porque dele é que me vem a salvação! Só ele é meu rochedo e salvação, a fortaleza onde encontro segurança” (Sal resp., 62, 2-3).

A cultura moderna destaca de maneira muito forte a autonomia, a iniciativa e a responsabilidade do indivíduo, em relação ao seu presente e a seu futuro, assim como a sorte das futuras gerações. Somos filhos e filhas da subjetividade, que constitui um grande avanço da modernidade. Suas raízes se encontram na dignidade da pessoa, criada à imagem de Deus. À sua responsabilidade zelosa foi entregue o cuidado da criação e do caminho da família humana para que alcançasse sua vida plena. A história de fato não caminhou nesta direção. Muitas vezes o cuidado sobre o criado se transformou num desfrute destruidor, e o cuidado recíproco se transformou em violenta competição entre os humanos e até mesmo com Deus. É a história do pecado que envenena nosso sangue e obscurece nossos olhos. Jesus cura esta paralisia interior e esta cegueira, abrindo o caminho para o horizonte original.

“Portanto não vos preocupeis com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã terá suas preocupações. Para cada dia bastam seus próprios problemas” (Mt 6, 34). Jesus não ensina a despreocupar-se e a se subtrair às próprias responsabilidades da vida, seja em relação a si próprio, seja em relação aos outros, mas convida a restabelecer a correta escala das prioridades e das preocupações.

Quando Israel chega à terra de Canaan, a terra recebida como dádiva pelo Senhor, e que o povo agora tem que cultivar e promover com responsabilidade e criatividade, o Senhor admoesta o povo para que “não esqueça” a experiência do deserto. Não se identifique simplesmente com o bem-estar material provindo das atividades agrícolas, do comércio ou da especulação edilícia na cidade.

“Lembra-te, porém, de todo o caminho que Iahweh teu Deus te fez percorrer durante quarenta anos no deserto, a fim de humilhar-te, tentar-te, e conhecer o que tinhas no teu coração… Não vás dizer no teu coração: Foi a minha força e o poder das minhas mãos que me proporcionaram estas riquezas” (Dt 8, 2; cf. 8, 1-20).

Esquecer a experiência do deserto significaria perder a mais profunda identidade de povo de Deus, chamado a viver a fraternidade entre seus membros, e não a cobiça de ter sempre mais bens materiais, narcotizando a alma e destruindo as relações.

Talvez a admoestação do Senhor a Israel ressoe com renovada urgência e verdade para nós hoje. Graças ao desenvolvimento econômico mundial e do Brasil, milhões de pessoas estão saindo da condição de pobreza e de falta de dignidade, e ganhando novas oportunidades para se promover ao nível social, cultural e econômico. O novo desafio para a missão evangelizadora da Igreja, isso é o desafio de cada um de nós, neste novo contexto histórico, é o de contribuir a um processo de desenvolvimento integral das pessoas e da sociedade, a fim de que o crescimento numa fé mais formada, e na experiência do Senhor, possam acompanhar o desenvolvimento social, ajudando as pessoas a se manterem abertas às dimensões mais profundas da existência humana: “o reino de Deus e a sua justiça”.

A Igreja depara-se com a mesma tentação de Israel, que era a de “tornar-se como os outros povos”, frente à modernidade. Confiar na força do evangelho, ou no poder dos instrumentos que toda empresa econômica e social quer à sua disposição, para potencializar sua imagem?

Como tornar-se “memória viva e crível” da primazia de Deus, e do seu amor que chama, escolhe e sustenta cada um em Cristo, para que as experiências inevitáveis de “deserto” e de duras provações ao longo da vida tornem-se caminho para a vida plena?

No deserto Deus cuida do seu povo, dando o maná cotidiano e a água viva que jorra da rocha. Ao mesmo tempo, porém, acompanha o dom com a indicação de recolher cada dia somente a porção suficiente para satisfazer as necessidades do dia. Ele entende promover e verificar a capacidade de confiar no Senhor (Ex 16,4). Deus providencia o maná a cada dia em superabundância. E se alguém tenta guardá-lo para o dia seguinte, com o intento de garantir a si próprio, o maná estraga (cf. Ex 16, 17 -21).

A queixa pela dificuldade do deserto e a monotonia de um alimento, garantido por Deus mas “sem gosto”, exprime a recusa do povo em ficar dependente de quem tem cuidado por ele, e a vontade de afirmar a própria independência. Mesmo se essa possa pedir um preço muito alto: a renúncia ao caminho desafiador para a liberdade e uma nova submissão à velha escravidão, dura, mas com a aparência de satisfazer as necessidades mais imediatas (Ex 16, 2-3). A liberdade, e sobretudo, a liberdade no amor, incute sempre medo.

Jesus, pelo contrário, abre o caminho da nova humanidade com a perturbadora perspectiva das bem-aventuranças, e sua afirmação central: “Felizes os pobres no espírito, porque deles é o reino dos Céus” (Mt 5,3). Mais do que constituírem o programa fundamental da sua pregação e missão, estas palavras nos oferecem o retrato íntimo de Jesus, e deixam vislumbrar o dinamismo profundo que guiou a sua inteira existência, até manifestar-se plenamente no grito confiante na cruz: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito!” (Lc 23,46).

Com a força simbólica da liturgia, cada noite, ao celebrar Completas, a Igreja nos convida a nos unirmos ao grito confiante de Jesus, renovando a entrega da nossa vida ao Pai. Completas é a oração da Liturgia das Horas que cumpre jornada, rezada ao final do dia; é como a síntese dos sentimentos, trabalhos, alegrias e fadigas de um dia. Mas é símbolo de todos os dias e de todas as atividades, através das quais realizamos nossa missão no mundo. É o selo de uma existência vivenciada no sinal do reconhecimento e agradecimento a Deus, da sua presença fiel ao nosso lado, enquanto desenvolvemos nossas responsabilidades e iniciativas em prol de nós mesmos e dos irmãos.

Redigido por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração (Mogi das Cruzes – São Paulo). Doutor em liturgia pelo Pontificio Ateneo Santo Anselmo


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Dionatan Alves
29.04.2012 - Domingo
A Santa Missa de domingo das 18h está sendo transmitida pela Rádio Continental 93,3 FM. Acompanhe nas terças-feiras e quintas-feiras das 18h às 19h uma palavra de paz com o Pe. Inácio B. Giacomelli Nos outros dias da semana no mesmo horário ouço o pregador Ivo Schirmer ministro da palavra da Santa Luzia. Convido você a sintoniza neste horário e escutar uma palavra de consolo e de paz. Abraços
João Azemiro de Souza
29.04.2012 - Domingo
Gosto muito da comunidade Nossa Senhora Aparecida. Sinto-me muito bem e muito bem acolhido cada vez que sou escalado para presidir celebração nesta comunidade. Costumo dizer que já que não posso ir à Aparecida do Norte venho aqui para visitar nossa Senhora. Fiquei muito feliz com a colocação da imagem em frente à igreja não temos nada para esconder pelo contrário, temos muito orgulho de termos uma mãe tão boa e fiel intercessora junto ao divino filho Jesus. Parabéns comunidade, Deus sempre derrame sobre vocês o seu Espírito Santo para que façais em tudo a sua Santíssima vontade. Contem sempre com este indigno servo do senhor, que por sua misericórdia, me fez cooperador de Cristo através do ministério extraordinário da palavra. Peço que permaneçam firmes na obediência e unidos na fé a igreja de Cristo, que apesar de humana e pecadora é santa e será vencedora na presença do Divino Pai Eterno.
João Azemiro de Souza
29.04.2012 - Domingo
Parabéns Santa Luzia, estou muito feliz por ter conhecido este site. Que Deus nos abençoe a todos. Que o nosso Deus derrame o seu Espírito Santo sobre nós e sobre o nosso querido pároco padre Inácio. Que a paróquia Santa Luzia pela intercessão de nossa padroeira, consiga cumprir bem sua missão junto ao povo de Deus levando todos os homens a Jesus testemunhando amor e misericórdia e unidos aos nossos pastores e santa igreja alcancemos de Deus as mais sublimes bênçãos.
João Azemiro de Souza
20.04.2012 - Sexta-Feira
Quando cheguei na Comunidade São Miguel Arcanjo, não aceitava e nem reconhecia São Miguel Arcanjo como padroeiro. Apesar de meus avôs e meus pais serem devotos, eu não tinha nenhuma devoção. Certo dia trabalhando na Multibrás, abastecendo chapas na monovia, enquanto erguia uma chapa de aço de aproximadamente dois metros tive a impressão de que alguém tinha segurado atrás, pois o peso da chapa reduziu pela metade. Joguei de volta a chapa no pállet e voltei-me para trás para ver quem era. Grande foi a minha surpresa ao constatar que não tinha ninguém por perto. Apesar de admirado continuei meu trabalho. Ao pegar outra chapa enquanto ia encaixando no cesto da monovia vi um homem vestido de túnica branca com o cíngulo em volta da cintura, cabelo comprido até os ombros. Esta visão ao invés me produzir medo foi ao contrário uma alegria imensa tomou conta de mim. Comecei então a louvar o Senhor e a pedir que se fosse coisa da minha mente que o Senhor tirasse de mim. Continuando o meu trabalho verifiquei que minhas luvas estavam a ponto de me cotarem as mãos. Dirigi-me então ao armário para pegar outro par quando novamente vi o mesmo homem agora de pé, com as mesmas características e uma voz interior me disse novamente o que havia dito anteriormente: São Miguel Arcanjo. E como da vez anterior senti um grande arrepio da cabeça aos pés e uma alegria imensa tomou conta de mim. Comecei cantarolar de alegria, e neste cantar compus naquele momento o hino do padroeiro que cantamos hoje em nossa querida comunidade. A partir daí tornei-me devoto fervoroso a São Miguel Arcanjo. Hoje não só sou feliz com o nosso padroeiro como sonho em ver a nossa comunidade se transformando em santuário dedicado à São Miguel Arcanjo.
Dionatan Alves
22.03.2012 - Quinta-Feira
A Santa Missa de domingo das 18h está sendo transmitida pela Rádio Continental 93,3 FM. Acompanhe nas terças-feiras e quintas-feiras das 18h às 19h uma palavra de paz com o Pe. Inácio B. Giacomelli Nos outros dias da semana no mesmo horário ouço o pregador Ivo Schirmer ministro da palavra da Santa Luzia. Convido você a sintoniza neste horário e escutar uma palavra de consolo e de paz. Abraços
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22.05.2012
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Cerco de Jerico
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