Diácono Ovino e sua história
06.09.2010Quando cheguei a ultima etapa, fui convidado a abandonar o diaconato. Depois de longa meditação…. Veio a duvida se realmente valeria à pena continuar ou não. Rezei com a esposa e resolvi terminar e me ordenar.
Chegando perto do dia da ordenação a pergunta “Quem me ajudaria a preparar a ordenação?”. Só eu sei que o que sofri… Mas com a graça de Deus consegui uma equipe litúrgica e alguns jovens que prepararam a igreja. Eu pedi aos padres Redentoristas de Aparecida 100 folhetos próprios para a ordenação de diáconos, elaborei apostilas com a capa para padres, bispo e equipe de leitores.
A comissão da igreja percebendo meu problema resolveu falar com o vigário e conseguiram autorização para preparar pelo menos alguma coisa para os convidados. Foi uma coisa simples, mas muito gratificante. Também a prefeitura me ajudou com a filmagem e fotógrafos, compra dos paramentos. (menos dalmática).
Chegou finalmente o dia da ordenação: 24 de dezembro de 1988 na igreja matriz Imaculada Conceição na comarca de Mamborê (PR), diocese de Campo Mourão.
Após a ordenação fui enviado a uma pequena comunidade com 200 famílias, Nossa Senhora da Gloria, no setor 13, (a cidade foi dividida em 16 setores), para melhor atender os Grupos Bíblicos de Reflexão. O meu grupo “Sagrada Família” foi muito bem em principio, boa freqüência, uma vez por mês tínhamos missa dentro de uma escola Municipal.
Foi quando entrou no meu setor um fazendeiro que conseguiu autorização para construir uma capela, esse fazendeiro formou uma comissão poderosa, pois custeou toda a construção da capela, formado uma equipe litúrgica própria com sua esposa, filhos e um sobrinho vindo de outra comunidade. Terminada a capela, o pároco me autorizou a formar ali a minha diaconia. Tínhamos missa uma vez por mês, sacrário e tudo que se precisava numa comunidade.
Um ano depois, trocaram a comissão tendo agora à frente o sobrinho do fazendeiro, ministro extraordinário da comunhão, que gostava de presidir celebrações, mas não era muito “amigão” do diácono e resolveram falar com o vigário para tirar o diácono, alegando que não necessitavam do meu trabalho. Já costumado que nenhum profeta é bem quisto na própria terra, fui evangelizar nos bairros mais pobres da cidade.
Finalmente veio o tempo de paz e alegria, agora me dedicando totalmente aos pobres nas vilas das periferias da cidade. Consegui formar uma equipe de animadores: um sanfoneiro, dois violeiros, um guitarrista, um no pandeiro, duas vocalistas e uns dez bons cantores. Que beleza! Elaboramos nossa agenda mensal na qual não podia faltar uma bonita celebração da palavra de Deus.
Nessa missão trabalhamos 18 anos sempre aos domingos após a Santa Missa das 8h na matriz.
O nosso programa tinha três horas de duração sempre das 14h às 17h. Um carro com alto falantes, quatro microfones, um toca-fitas com fita K7 e CD. O comercio da cidade nos ajudava com brindes para as crianças e muito alimento não perecível que eram distribuídos com brincadeiras: corrida do saco; passa e repassa; quem sabe mais; vira-latas; tiro ao alvo; cabra cega; trocadilhos quebra língua e outras.
Durante esta missão fui nomeado presidente do Conselho Tutelar, que propiciou entrar em contato com as Embaixadas do Brasil na Alemanha, Espanha, Inglaterra, Itália, Estados Unidos e Japão que enviaram pelo correio roupas, calçados e artefatos de plásticos em tal quantidade que abarrotaram nosso deposito no conselho, aonde deixei muitas coisas para a paróquia distribuir quando me mudei para Joinville em 1997.
Com tanta ajuda nosso programa com os pobres tomou um novo rumo de alegria que passamos a apresentá-lo no parque de exposições aonde acorriam os curiosos para ver e participar das apresentações e receber algum brinde em roupa e calçados.
Já bem estruturado o programa levou o nome de “EDUCAR” brincando e educando. Nossa equipe entrou num novo programa com o nome de Nossa Senhora de Maio.
Trabalhamos com uma equipe de 20 colaboradores que receberam uma formação de catequistas com a aprovação do vigário pe. Artur Frantz S.J sob a supervisão do diácono para trabalharem nas pastorais de pais e padrinhos; curso de noivos; regularização de casais em segunda união; liturgia nas celebrações da missa e culto da palavra; pastoral da Consolação e Esperança e ainda curso de acólitos e coroinhas.
A equipe estava sempre à disposição do vigário para qualquer trabalho na paróquia nas suas possibilidades referente ao setor 13 (setor do diácono)
Os fiéis eram preparados e recebiam um certificado para irem à secretaria da paróquia para preencher os registros para receberam os sacramentos e foram abolidos os cansativos “curso de horas e mais horas”. Em principio era em caráter experimental, mas como foi muito bom e aprovado pelo pároco, foram estabelecidos em todos os 14 setores os mesmo métodos.
Para fechar com cave de “ouro” essa quarta parte, nos meses de maio nossa equipe elaborou um programa maravilhoso para atrair os devotos de Nossa Senhora de Maio, que me deixou com grande saudade desse bonito tempo.
Como funcionava: Um belo andor com arco iluminado ao redor da imagem de Nossa Senhora de Fátima, um carro de som na frente da procissão, cantores ensaiados e rezando o terço e na frente das casas as famílias preparavam uma mesa com velas, flores e imagem de Maria. Ao chegar à procissão eram detonados foguetes e vivas de cortar o coração. Prestava-se rápida homenagem à família e a procissão seguia. Eram 10 casas por noite e no final de maio todas as equipes iam em procissão até a matriz aonde o pároco fazia o encerramento de maio com uma solene missa, Oh! Que saudades!!!
Diácono Ovino Jonck
