Diácono Ovino, 13 anos na Comunidade Santa Luzia
14.02.2011No dia 20 de novembro de 1997, num lindo dia ensolarado, quando às 19h30 desembarquei na rodovia de Joinville. Lá já estava me esperando minha filha quem levou a sua casa no bairro Paranaguamirim, como não poderia ser diferente me serviram um ótimo janta um gostoso banho e depois de um longo bate-papo.. cama. Eu tinha uma longa agenda para o dia seguinte.
No dia seguinte, às 9h fui me apresentar ao Bispo dom Orlando Brandes, que após ler minha cara de apresentação do bispo dom Virgílio de Pauli (de saudosa memonia) de Campo Mourão (PR), me enviou à paróquia Nossa Senhora de Fátima (Itaum) onde o vigário era o padre Everton James Klapouch.
As 14h me apresentei ao vigário que me recebeu como um verdadeiro amigo e pastor. Lendo as recomendações de dom Orlando me pediu para aguardar. Após 30 min. Voltou e que alegria, me entregou o documento que faço questão em transcrever:
Autorizo o diácono Ovino Jonck, recém chegado a esta paróquia Nossa Senhora de Fátima em processo de incardinação nesta diocese de Joinville, a assistir validamente aos matrimônios que nesta paróquia lhe forem solicitados, bem como celebrar os batizados, levar o viático aos enfermos e prestar todos os serviços inerentes ao ministério do Diaconato na igreja como afirma os cânones 757, 764, 767, 861 parág. 1º 910 parag.1º, 943 1108 e 1169 do código de Direito Canônico.
O padre Everton me proporcionou um campo amplo de evangelização nas muitas comunidades aonde me enviava para celebrar a palavra, fazer batizado, abençoar casamentos, em fim, prestar todos os serviços inerentes ao ministério do Diaconato.
No meu primeiro ano na comunidade Santa Luzia foi realmente um ano de graças sobre graças juntamente com o pároco padre Everton James Klapouch, que me enviou às famílias não só na comunidade Santa Luzia, mas em toda a paróquia Nossa Senhora de Fátima.
Foram visitadas, abençoadas e reconciliadas aproximadamente 350 famílias. Só na comunidade Santa Luzia visitei 250 casais. Para ver os realmente os problemas familiares, é só ir às casas, ouvir com muita paciência os seus problemas, rezar com eles para depois tentar fazer algumas colocações na tentativa de estabelecer a pás em 40% das casas visitadas. O problema mais comum e crucial é a infidelidade conjugal.
Em muitas famílias ficava até uma ou duas horas ouvindo ambas as partes, pedindo ao Espírito Santo para me colocar na boca as palavras certas para tão triste momento.
Que mais me doía eram as situações que não tinha como reconciliar, que batiam de encontro do Direito Canônico e me forçava a dizer: Meus caros irmãos, não deixem de freqüentar a igreja, participem e façam a comunhão espiritual até o problema seja melhor estudado e poderão voltar a se confessar e receber a comunhão sacramental.
Continuei as visitas nas famílias, aos enfermos, doentes e encarcerados na Pastoral Carcerária. Não participei mais porque não posso ficar em ambientes fechados por mais de uma hora, e estes programas sempre passavam de duas horas.
Continuando minha missão nas famílias e por ordem de dom Orlando Brandes em formar mais comunidades, formei uma equipe de frente com um pai de família, Adenilson. Formamos uma agenda de visitas, celebrando o culto da Palavra nas casas. Nessas celebrações surgiu a necessidade de formar uma comunidade. Conseguimos o terreno, formamos a comissão. Dom Orlando celebrou a primeira missa campal e assim, mãos a obra para construir a capela. Hoje a comunidade São Domingos de Gusmão.
Tudo isto levou três anos de trabalho com muita dificuldade, pois estavam construindo na mesma época a futura paróquia Santa Luzia. Houve “conflitos” entre o Diácono e comissão da Santa Luzia, que me levou a pedir ao bispo remoção. Fiquei três anos no Santuário Sagrado Coração de Jesus com o propósito de não voltar mais à Santa Luzia antes de ter um padre morando na comunidade.
Na chegada do padre Jesimar, dom Orlando me pediu para voltar e ajudar o novo padre. Nosso relacionamento foi maravilhoso e pude proclamar em alto e bom som no discurso de despedida do padre Jesimar que não tive na minha vida de diácono, um padre tão amigo e irmão como ele. Que Deus o abençoe hoje e sempre.
Foram 13 anos de lutas, alegrias, tristezas e contrariedades como qualquer cristão que se preza Filho de Deus. Não fiz tudo que queria, mas fiz tudo que pude fazer com a graça de Deus.
Quando o padre Jesimar foi transferido, fiquei na expectativa quem seria meu próximo companheiro de luta na evangelização neste setor. Fui feliz ao saber da vinda do padre Inácio. A bem da verdade, nunca tive problemas com padres nas comunidades que trabalhei como diácono.
Eu aprendi no noviciado dos padres do Sagrado Coração de Jesus em sempre obedecer, pois quem obedece nunca erra. Sabiam disto? Façam a experiência e verão. Esse principio levo comigo ate hoje e sempre deu certo.
Agora qual o meu maior ponto fraco na vida? Não tenho vergonha de confessar: Não falar o que não falaria se a pessoa estivesse presente. Isso aprendi na mesa de um colono na hora do almoço. Na parede tinha uma grande faixa bordada que dizia: “Se da vida do ausente queres falar, retira-se: Aqui não é seu lugar”.
Por mais que lute ate hoje não consegui nem por um dia sequer. Qual seria a formula de fazer esse bolo? Se a tens, me passe, por favor.
Vejam meus queridos irmãos quanto preciso de vossas orações para ser santo e santificador. Confiante em Deus e nas vossas preces, um dia vou conseguir ser o que um diácono e pai deve ser. Que Deus tenha compaixão de mim.
Assim fecho minha historia.
Que em tudo Deus seja glorificado.
