Celebração de Domingo de Ramos tem ares de protesto em Joinville
17.04.2011Fiéis abordaram em procissão o impacto ambiental causado pelo ser humano
Como os milhares de católicos espalhados por Joinville, no Norte de Santa Catarina, a comunidade da Paróquia Universitária São Francisco de Assis comemorou o Domingo de Ramos como a célebre data que marca a abertura da semana santa. O diferencial estava no modo em que realizaram a missa e a procissão: aproximadamente 300 fiéis, entre eles crianças, adolescentes e adultos, usavam máscaras, fantasiaram-se de animais e até de morte para simbolizar o impacto causado pelo ser humano na natureza.
E, para caracterizar ainda mais o discurso ecológico, os católicos levaram cartazes com o tema da campanha da fraternidade deste ano, com os dizeres “Fraternidade e a Vida no Planeta”. A caminhada iniciou na avenida Hermann August Lepper, próximo à Casa da Cultura. Eles seguiram margeando o rio Cachoeira, maior símbolo joinvilense de degradação ambiental.
Em pouco mais de 30 minutos, quatro jovens vestidos de morte conseguiram juntar da rua quatro sacos cheios de lixo. A cena ganhou ares de protesto em defesa do meio ambiente. Praticamente todos os fiéis ainda estavam com máscaras.
— Elas representam a poluição do ar e também do Rio Cachoeira — esclareceu o padre Ivanor Macieski.
Apesar de todo o empenho em demostrar a fé e também o compromisso com as causas ambientais, a procissão começou um tanto enxuta, com poucas pessoas. E, aos poucos, foi agregando novos membros.
Sem sol, o domingo amanheceu com céu nublado e uma garoa fina insistia em cair.
— O pessoal está com medo por causa da chuva — lamentou a professora aposentada Lúcia Koerich Ramos, 59 anos.
Em todo trajeto foi notável a participação das crianças, acompanhadas pelos pais ou em grupos formados pela catequese. Juntos, os quase 300 fiéis passaram pela avenida Hermann August Lepper, pela Itaiópolis, pela rua José do Patrocínio, pela Rua dos Capuchinhos e finalizaram o encontro em frente à paróquia, na rua Platina, no bairro Saguaçu.
Gisele Krama | gisele.krama@an.com.br
