A salvação eterna não é para um grupo pré-determinado
27.10.2010Naquele tempo, Jesus atravessava cidades e povoados, ensinando e prosseguindo o caminho para Jerusalém. Alguém lhe perguntou: “Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?”
Jesus respondeu: “Fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita. Porque eu vos digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão. Uma vez que o dono da casa se levantar e fechar a porta, vós, do lado de fora, começareis a bater, dizendo: ‘Senhor, abre-nos a porta!’ Ele responderá: ‘Não sei de onde sois’.
Então começareis a dizer: ‘Nós comemos e bebemos diante de ti, e tu ensinaste em nossas praças!’ Ele, porém, responderá: ‘Não sei de onde sois. Afastai-vos de mim todos vós que praticais a injustiça!’ Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, Isaac e Jacó, junto com todos os profetas no Reino de Deus, e vós, porém, sendo lançados fora.
Virão homens do oriente e do ocidente, do norte e do sul, e tomarão lugar à mesa no Reino de Deus. E assim há últimos que serão primeiros, e primeiros que serão últimos”.
- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.
Reflexão
1– A salvação eterna não é para um grupo pré-determinado. A salvação eterna pode e deve ser conquistada por todos. Todavia, ser cristão não é condição mágica para merecer a salvação. Conhecer a Sagrada Escritura na sua totalidade também não é condição para entrar no reino dos Céus. Ainda que falássemos a língua dos anjos; ainda que tivéssemos o dom da profecia; ainda que conhecêssemos todos os mistérios e toda ciência; ainda que tivéssemos fé a ponto de transportar montanhas; ainda que repartíssemos nossos bens ou chegássemos ao ponto de entregar nossos corpos para serem queimados, se não tivermos caridade, ou seja, amor, de nada adiantaria para nossa salvação eterna. (1 Cor 1,1-13) O Céu não é clube onde se entra com carteirinha de sócio. Não será nossa certidão de batismo que garantirá a entrada no céu. A única realidade que nos garantirá a salvação eterna é a prática da justiça, da solidariedade, da fraternidade, da acolhida, do perdão… Portanto, a regra já está estabelecida. Se formos batizados e fizermos isto, certamente a salvação nos será garantida. Tudo dependerá da nossa decisão interior: Queremos ou não merecer a salvação que Cristo nos trouxe com o anúncio do Reino? A certidão de batismo serão as nossas boas obras.
2 – O amor é paciente, é prestativo. Não é invejoso, arrogante e nem invejoso ou orgulhoso. O amor nada faz de inconveniente e nem procura seu próprio interesse. Não se irrita e nem guarda ressentimentos. O amor, sobretudo, não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. O amor desculpa tudo, tudo crê, tudo espera e tudo suporta. O amor não passará nunca. Nem na eternidade, porque é exatamente lá que nos encontraremos com a fonte primordial do amor, que é Jesus Misericordioso. Na eternidade até as profecias terão seu fim e a ciência será inútil. Tudo o que é nosso, é imperfeito. Diante do Perfeito, a imperfeição desaparecerá. (1 Cor 1,1-13) Na eternidade, até a fé e a esperança terminarão. Mas o amor permanecerá. O amor verdadeiro não nos deixa fixados em nós mesmos, egoisticamente, mas nos faz ver os outros em suas necessidades existenciais mais urgentes. Decididamente o caminho do amor verdadeiro é o caminho da porta estreita. Trata-se do encontro fecundo do humano com o infinito dom de Deus.
3 – Deus concederá a salvação eterna pelas nossas boas obras de justiça. Como disse em uma das reflexões anteriores, precisamos ser criativos na arte de fazer o bem. “E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com Ele, então se assentará no trono da sua glória. E todas as nações serão reunidas diante dele, e separará uns dos outros, como o pastor separa os cabritos das ovelhas. E porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos à esquerda. Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era estrangeiro, e me hospedastes. Estava nu, e me vestistes; adoeci, e me visitastes; estive na prisão, e fostes me ver. (Mt 25,31-36) E, se assim fizermos, nos será concedido tomar lugar à mesa no Reino de Deus. Seria muito triste se nos apresentássemos diante de Deus com as mãos vazias de obras de amor. Certamente ele também dirá para nós: ‘Não sei de onde sois. Afastai-vos de mim todos vós que praticais a injustiça!’ Seria lamentável…
Oração
Senhor Jesus, fonte misericordiosa do amor, da justiça e da salvação. Salva-nos! Não permite, Jesus, que fiquemos na passividade e na ociosidade, sem nos empenharmos seriamente para passar pela “porta estreita” do amor e da justiça, que se expressam no compromisso concreto de lutar pela defesa da vida. Abre-nos a porta! Considera-nos “benditos de Teu Pai”. Permita-nos possuir o Reino preparado desde a fundação do mundo. Concede-nos que tomemos lugar à mesa no Reino de Deus. Que nossas atitudes de amor possam ser a chave que nos permitirá abrir a porta para a salvação eterna. Dá-nos a graça de transformar nossa vivência sacramental em compromisso afetivo e efetivo para com os mais necessitados da sociedade. Que nossa vida de oração possa ser cada vez mais coroada de ações transformadoras. Que Teu Espírito Santo nos ajude a viver e a praticar a justiça, a solidariedade, a fraternidade, a acolhida e o perdão. Converte-nos, Jesus, para que possamos, através do seguimento radical, merecer a salvação eterna. Amém.
Padre Renato dos Santos
