4º Domingo da Quaresma Ano A
08.04.2011Neste domingo vemos que o cristão deve ser um ser iluminado. O convite é para alegrar-se pois Deus com sua graça vem iluminar e mostrar qual o caminho que devemos seguir para permanecer na luz e o que é preciso saber para derrotar as trevas.
Primeira Leitura (1Sm 16,1.6-7.10-13) o ser humano precisa ser iluminado por Deus, caso contrário andará como um cego, sem enxergar. Deus escolhe as pessoas por pura benevolência, não segundo os critérios humanos, que neste caso seria Eliab o primogênito, belo e forte, mas Deus escolhe a Davi e Samuel o unge em família. Esse episódio ocorreu no ano 1000 aC, o povo de Israel é pressionado pelos filisteus e vive uma crise política. Samuel é enviado por Deus para ungir um dos filhos de Jessé. Ao ver o primogênito Eliab, se impressiona, mas Deus diz: “não é ele”. Jessé vai apresentando os seus filhos, mas o Senhor vai dizendo não, até que lhe é apresentado Davi e o Senhor o manda ungir.
Por que Deus age assim? Deus parece se divertir, invertendo os valores que nós imaginamos. Vejamos: quando escolheu um povo, deixou os babilônicos e os egípcios, os gregos e romanos de lado e escolheu um pequeno povo, Israel. Para libertar Israel, escolhe Gedeão, cuja família era a mais pobre e ele o menor de sua família. São Paulo depois vai dizer: é na minha fraqueza que Deus manifesta o seu poder. Deus, portanto tem outros critérios e escolhe aquele que lhe aprouver. A partir desta realidade devemos aprender a olhar o mundo com os olhos de Deus. Fica, portanto o convite de convidarmos Deus para ajudar a tomar nossas decisões. Que elas não sejam baseadas só em critérios humanos.
Segunda Leitura (Ef 5,8-14) o convite é não tomar parte das obras das trevas, como outrora quando vivíeis na ignorância, agora deveis comportar-se como filhos da luz, diz São Paulo. Na Bíblia a luta entre o bem e o mal é apresentada como contraste luz e trevas, vida e morte. Paulo diz que os cristão aos serem batizados foram iluminados, saíram do mundo das trevas para o mundo da luz, da morte para a vida. As obras da luz são bondade, justiça e verdade. Quanto as obras das trevas São Paulo diz que elas sao vergonhosas e que os que a praticam procuram a escuridão. Sugere a denúncia aberta e decidida (v.13), para combater as obras das trevas. Ele diz que a denúncia é como um feixe de luz projetado sobre a desonra. Quando confessamos nossos pecados sinceramente é como se jogássemos um raio de luz sobre nossa fraqueza então ficamos iluminados, purificados.
Evangelho (Jo 9,1-41 ou 1.6-9.13-17.34-38) Jesus cura nossas cegueiras e ilumina as trevas que alienam nossa vida. Quando estamos apegados somente às coisas deste mundo estamos como que cegos. O cego é o símbolo de todo ser humano que ao batizar-se é iluminado por Jesus Cristo e se deixa conduzir pela sua Palavra. É interessante que o tema começa com a pergunta: quem pecou para que nascesse cego, ele ou seus pais (v.2)? Jesus responde: nem ele nem seus pais. Os discípulos estavam presos a idéia da retribuição, onde se acreditava que quem era bem sucedido era porque Deus estava abençoando. Se não era bem sucedido é porque Deus estava castigando, é a tal lei da retribuição.
Jesus faz lodo e coloca nos olhos do cego e o manda lavar-se no lago de Siloé. Jesus ritualiza a cura, ele estimula a fé do cego, portanto a cura é primeiramente um querer de Jesus. O cego inicialmente o conhece como Jesus de Nazaré, depois como profeta e por fim como Senhor. Poderíamos dizer que o cego fez a caminhada do catecúmeno que aos poucos vai sendo catequizado e crê que Jesus Cristo é o Senhor. O cego, portanto também entrou com sua parcela, ele vai lavar-se. Uma vez curado abre-se um processo pelos fariseus, interrogando-o sobre a pessoa que lhe abrira os olhos. Como constatamos as posições se invertem o cego agora passa a ver e os fariseus, que dizem que não estão cegos, permanecem na cegueira. Eles de fato estavam tão presos a lei que Jesus os chama de cegos. Não foram capazes de enxergar o milagre que acontecera.
