3º Domingo da Páscoa Ano C
28.04.2010Somos caminhantes, peregrinos, vivemos a tensão entre a vida e a morte, entre gritos “ele é nosso rei e crucifica-o”. Assim carregamos em nós o germe da fragilidade humana, mas também temos a luz divina. O convite será sempre sair do “velho” e assumir o “novo” aberto ao transcendente. Neste domingo reconhecemos que o ressuscitado é o mesmo que fora crucificado. Ele é o Cordeiro, contém em si as marcas da crucificação, mas agora lhe são prestadas honras devidas somente aquele que é reconhecido como Deus.
PRIMEIRA LEITURA (At 5,27-32.40-41) Lucas nos faz um relato dos acontecimentos do início de nossa Igreja. O poder religioso está boquiaberto pelo que vem acontecendo, proíbem os apóstolos de anunciar o nome de Jesus e os mandam açoitar. Pedro corajosamente diz que primeiro é preciso obedecer a Deus e depois aos homens. Pedro que antes negara a Jesus Cristo agora não se intimida diante das autoridades, pois é guiado pela força do Espírito Santo. Ele diz que o anúncio é uma necessidade. O seu teor é: “aquele Jesus de Nazaré que vocês crucificaram ressuscitou dos mortos e Deus o exaltou tornando-o guia e Salvador (v.31)”, disso nós e o Espírito Santo somos testemunhas.
SEGUNDA LEITURA (Ap 5,11-14), Apocalipse significa revelação, São João tem uma visão onde o Cordeiro imolado recebe as mais altas honras, pois ele é digno de honra, riqueza, sabedoria, força, glória, louvor e o poder. Todos lhe prestam honra e os quatro seres vivos respondiam: “Amém”, e os anciãos se prostravam em adoração. É a liturgia celeste prestando homenagem aquele que é Senhor e Salvador.
EVANGELHO (Jo 21, 1-19 ou 1-14) neste Evangelho Jesus aparece aos discípulos às margens do lago de Tiberíades na Galiléia. Provavelmente havia acabado o estoque de peixe, por isso eles resolveram pescar, mas o mar não estava para peixe. Mesmo trabalhando a noite toda, nada pescaram. Alguém estava na margem quando se aproximam da praia, era Jesus, mas eles não o reconhecem. Ele pergunta se tinham pescado algo, Pedro responde que não. Jesus sugere: joguem a rede ao lado direito, eles jogam e pegam 153 grandes peixes. Nisto Jesus é reconhecido por João, o discípulo amado. Jesus mesmo depois da morte e ressurreição continua servindo os seus discípulos. Ao desembarcarem viram uma fogueira com peixes assados e pão, Jesus os convida para comer. Podemos concluir: pescar sem Jesus, não dá peixe. Viver como se fôssemos eternos e longe de Jesus certamente não seremos felizes, de outro lado viver na presença de Deus seremos vencedores, pois o próprio Deus não deixará na mão aqueles que nele colocaram a sua esperança. Eu fico me perguntando quantas vezes deixamos Deus à margem de nossa vida, Ele deveria estar no centro de nossa vida, mas muitas vezes o deixamos de lado. No Evangelho de hoje Jesus coloca Pedro em apuros. Ele pergunta por três vezes se Pedro o ama e Pedro responde que sim, mas fica entristecido pela insistência de Jesus. Jesus por sua vez o confirma e o convoca a apascentar suas ovelhas. A pergunta que Jesus fez a Pedro, certamente continuará fazendo a cada um de nós e nós vamos responder que sim. Jesus poderá nos questionar: se me amas, por que não cuidas direito da tua família? Por que não tiras um momento diário para falar comigo? Por que não tratas bem a tua esposa? Por que não te importas com teus filhos? Por que não falas de mim para eles? Por que não participas da sua Igreja? Por que não guardas a minha Palavra? Se me amas por que essa amargura em teu coração por aquilo que te fizeram? Eu fui condenado injustamente e perdoei, não poderias tu também perdoar? Para alguns questionamentos nós não saberemos o que dizer, a não ser bater no peito e dizer perdoa-me Senhor, pois eu não sabia o que fazia, eu não sabia amar. Agora Senhor estou começando aprender a amar. Aquele jovem que estava na margem do lago de Tiberíades continua a perguntar: você me ama?
Fonte: Pe. Inácio - Paróquia Santa Luzia
