24 Domingo do Tempo Comum Ano A
13.09.2011Neste domingo Jesus nos fala do perdão sem limites, setenta vezes sete, ou seja, sempre. Romper as barreiras do ódio, mudar a face da humanidade, eis o desafio do cristianismo, eis o convite para todos os homens e mulheres de boa vontade. O judaísmo já conhecia o dever do perdão, mas era uma conquista recente, por isso fazia mediante certas condições. Os rabinos para acentuar a liberdade de Deus diziam que ele perdoa até três vezes. As escolas rabínicas exigiam que seus discípulos perdoassem certo número de vezes à mulher, aos filhos e aos irmãos. Esta lista variava de escola para escola, por isso Pedro pergunta a Jesus: Mestre quantas vezes devo perdoar (v.21)?
Primeira Leitura (Eclo 27,33-28,9) o ser humano está voltado para si, daí o pecado original. Exige muito do próximo, mas nada faz em prol do outro (a). A ira, ódio, rancor e as mágoas fazem mal para aquele que as carrega e para aquele que é odiado. No passado para compensar as injustiças e desencorajar alguém a fazer outras agressões, respondia-se com maior violência do que aquela que recebeu. Vemos isso com Lamec em (Gn 4,23-24). Ouve um grande progresso quando se adotou, olho por olho, dente por dente (Ex 21,24). No livro de Levítico (19,18) diz “tu não te vingarás e não guardarás raiva contra os filhos do teu povo, mas amarás ao próximo como a ti mesmo”. A vingança não traz a paz, mas a desarmonia. A leitura de hoje nos mostra que é preciso ir além, é preciso ter misericórdia, ensina que o perdão das ofensas é condição indispensável para rezar e obter o perdão de Deus sobre seus pecados. “Se aluem guardar rancor no coração contra outro homem, como vai pedir a Deus perdão do seu pecado?” (v.3). Como está o nosso comportamento diante do irmão que peca contra nós? Já entendemos a proposta de Jesus, ou ainda estamos no “olho por olho, dente por dente”, ou ainda buscamos “acertos de contas”? .
Segunda Leitura (Rm 14,7-9) quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor (v.8) diz São Paulo, não devemos viver para nosso egoísmo, mas para o Senhor. Por isso devemos procurar trilhar os caminhos do respeito recíproco entre os membros da Comunidade. Se vivermos em discórdias cortamos a corrente da vida, só o respeito e o amor nos mantém ligados a Jesus Cristo.
Evangelho (Mt 8,21-35) como já vimos na introdução sobre o perdão, apesar da evolução os rabinos tinham um consenso: a partir da quarta vez que alguém pecava contra o irmão devia ser punido. A resposta de Jesus foi outra: “não te digo sete vezes, mas até setenta vezes sete” (v.21). Conclui-se que é preciso perdoar sempre. Para esclarecer melhor sua resposta Jesus conta a parábola dos dois devedores (v.23-35). Certo homem perdoa uma grande fortuna, aquele que fora perdoado encontra alguém que lhe devia cem moedas não é capaz de perdoar. Mateus quer mostrar a grandeza do amor de Deus e a pequenez do coração humano, Deus perdoa tanto e o ser humano tão pouco. Podemos enumerar três tipos de pessoas: as que recebem só o bem e praticam o mal, vamos chamar de malvados; um segundo tipo são as que pagam o mal com o mal e o bem com o bem, estes praticam a justiça deste mundo, podemos chamá-los de “justos”. Mas há os que recebem o mal e respondem com o bem, a esses podemos chamar de filhos de Deus. Em qual dos três tipos nós nos enquadramos? O pecado é coisa séria, certamente Deus não coloca panos “quentes” sobre nossas feridas para escondê-las. Ele perdoa porque é misericordioso e conduz a pessoa para conversão. Por isso somos convidados a perdoar e pedir perdão. Devemos ser construtores de pontes, para estar ligados com o próximo. A falta de perdão é mesmo que derrubar as pontes, cortar relações. De outro lado mostra que Deus não está para brincadeiras quando chama aquele que perdoou uma grande dívida e o mesmo não foi capaz de perdoar uma ninharia. Isso mostra que ele nos pedirá conta de tudo, portanto, levemos a sério nossas vidas.
Padre Inácio B. Giacomelli
