2º Domingo de Páscoa Ano A
09.05.2011A cada oito dias os cristãos se reúnem para celebrar a Páscoa do Senhor, o dia em que o Senhor ressuscitou. Ao ressuscitar, vencer a morte, Jesus restaura a humanidade, faz de cada homem e mulher uma nova criatura. Não é só restaurada, mas renovada, recriada. O Senhor ao recriar coloca no coração de cada ser humano um novo sentimento, de amor, bondade e misericórdia. Hoje o Senhor se apresenta aos apóstolos reunidos em assembléia e lhes traz o dom da paz.
Primeira Leitura (At 2,42-47) a leitura de hoje nos apresenta o relato do crescimento da Comunidade primitiva. Fala de suas características: eram assíduos e concordes (1,14 e 2,46) na oração na ida ao templo e partilha do pão (gesto da celebração da Eucaristia). O partir do pão veio do gesto de Jesus na última ceia. Colocavam tudo em comum, eram extremamente generosos, marca essa que fazia com que os outros diziam: vede como eles se amam. Outra característica: eram assíduos e atentos no ensino dos apóstolos. Tudo faziam alegremente, nos mostra o evangelista Lucas escrevendo sobre as primeiras comunidades.
Segunda Leitura (Pd 1,3-9) Estamos nos anos 80 e os cristãos introduziram o costume do batismo na noite da Páscoa. A primeira parte, portanto (3-5) trata do hino batismal antigo, nele se bendiz a Deus pela obra da salvação. Há muita alegria pelos novos neófitos. Lembra que foram regenerados não por uma semente corruptível, mas para a imortalidade. Na segunda parte (6-9) trata da vida cristã instaurada após a nova relação de Deus com a humanidade. O binômio alegria e sofrimento (breve período) e a fé na vitória final fará parte do cristão. A esperança cristã não é uma utopia, mas real. Os neófitos eram freqüentemente zombados perseguidos e condenados injustamente na época. Entretanto nenhuma perseguição poderia destruir a serenidade interior, a alegria de serem filhos de Deus. A última parte diz: “vos amais a Cristo, embora nunca o tenhais visto, e agora sem vê-lo continuais acreditando nele”, crer sem ver, sim sereis felizes por isso. O escritor sagrado não estaria dizendo isso justamente para nós hoje! Reflitamos sobre estas palavras.
Evangelho (Jo 20,19-31) este evangelho podemos dividi-lo em duas partes para refletirmos: a primeira parte os (vv.19-23), Jesus aparece aos discípulos e lhes comunica o dom da paz e lhes dá o Espírito Santo para vencer as forças do mal. A saudação, a paz esteja convosco era usada entre os judeus e ainda hoje permanece o costume. Mas não foi uma simples saudação, mas uma restauração da paz com a força de Deus. É importante lembrar que Jesus se apresenta justamente no momento em que a assembléia está reunida. Hoje poderíamos dizer: eles estavam na Missa. É na comunidade reunida que encontramos Jesus. Quem não se encontra na comunidade não encontra Jesus, não recebe a saudação, não participa da alegria, não recebe a paz, não vê Jesus.
A segunda parte narra o episodia de Tomé (vv. 24-31). Jesus cumpre o que prometera antes de passar pela cruz. Ao mostrar os sinais, o peito e as mãos, Jesus revela que o glorificado é o mesmo que fora crucificado. Tomé na primeira aparição do Senhor não está presente, portanto não viu o Senhor e conseqüentemente não acreditou, mas hoje ele está presente, vê e crê. Daí conclui-se a importância em estar na comunidade. …A quem perdoardes os pecados, aquém retiverdes serão retidos… A Igreja buscou nesta citação a base para o sacramento da reconciliação. Devemos olhar com mais seriedade para este Sacramento, que é um sacramento de cura.
